S The Strings SocietyEscrito sobre as cordas
Reflexão

Esperar: A Forma da Expectativa

Há um tipo particular de espera que nada tem a ver com o tempo.
Reflection

Não avança em linha reta. Expande-se.

Começa em silêncio. Uma data. Um lugar. Um pensamento ao qual voltas mais vezes do que devias.

A princípio, parece inofensiva. Depois começa a crescer.

Insinua-se em momentos banais—interrompe conversas, reaparece a meio do dia sem razão nenhuma.

Dás por ti a imaginá-la. Não uma vez. Mas vez após vez após vez.

E de cada vez torna-se mais nítida. Mais definida. Mais real. Até que a própria espera se torna parte da experiência.

Porque a expectativa nunca é neutra. Traz peso consigo.

Constrói expetativas que não controlas por completo, cria versões do que poderá acontecer—algumas precisas, outras impossíveis.

E, mesmo assim, agarras-te a elas. A todas.

Há algo quase frágil nisso. A disposição de te projetares para a frente, de investir emoção em algo que ainda não aconteceu. De o sentir—antes de existir.

• • •

E talvez seja por isso que o momento, quando finalmente chega, nunca é só o momento em si.

Carrega tudo o que veio antes dele. Cada pensamento. Cada versão imaginada. Cada regresso silencioso à mesma ideia.

É mais pleno. Mais pesado. Mais intenso.

E depois—tão de repente como veio—desaparece.

A espera desaparece. E com ela, aquele estado estranho e suspenso onde tudo ainda parecia possível.

O que fica é diferente. Real. Imediato. Mas também—menos infinito.

E assim, por fim, quase sem darmos por isso—recomeçamos. Escolhemos algo novo por que esperar.
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