De Berlim a Bucareste: Uma Ligação Direta a Enescu
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Em baixo: os primeiros noventa segundos da conversa. A rua, a porta, o sorriso, o violino já na sala — e a cadência da voz de David, em inglês, enquanto Mădălina sobrepõe a narração em romeno.
Transcrição completa · English · Italiano · Español
Transcrevemos e traduzimos a entrevista completa — disponível em inglês, italiano e espanhol aqui mesmo no site (use o seletor de língua na barra superior). O que se segue é a conversa integral tal como foi emitida no Observator: a narração de Mădălina e as respostas de David, pela ordem em que passaram no ecrã.
[Berlim · casa de David Garrett · entre dois concertos]
MĂDĂLINA IACOB (em voz off)
Apenas 66 segundos para The Flight of the Bumblebee. Hoje, conhecemos o homem que mudou a perceção do mundo sobre o que um violino pode ser. E espero que esta entrevista dure um pouco mais do que 66 segundos. Venha comigo.
[À porta de David]
VOZES (saudações misturadas)
“Olá, David!” · “Prazer em conhecê-lo, David!”
DAVID GARRETT
“O prazer é meu.”
MĂDĂLINA (em voz off)
Encontrámo-nos entre dois concertos, em Berlim. A cidade onde, por acaso, ele vive. Mas poderia ter sido em qualquer lugar — Paris, Las Vegas, Madrid. A sua vida é uma digressão contínua, com mais de trinta anos, desde que pegou pela primeira vez num Stradivarius — oferta do Presidente da Alemanha — e partiu pelo mundo com um objetivo bem claro: conquistá-lo. Ao seu próprio estilo, único.
ENTREVISTADORA
“Como se sentiu quando bateu o recorde mundial?”
DAVID
“Faço isso praticamente todos os dias. O meu professor, Itzhak Perlman, dizia-me sempre — o mais importante para tocar depressa é praticar devagar.”
MĂDĂLINA (em voz off)
Tinha 28 anos quando entrou no Guinness Book of Records, tornando-se o violinista mais rápido do mundo, com treze notas musicais por segundo. É também aquele que transformou a música clássica em super êxitos, e os grandes êxitos em momentos irrepetíveis em palco. O seu repertório vai de Michael Jackson e Beethoven a Metallica e Vivaldi, de Rihanna e Beyoncé a Chopin e Bach. Dois estilos que só na aparência são diferentes, diz David.
DAVID (sobre misturar géneros)
“É como ter de escolher entre beber e comer. Se o fizermos, acabaremos por morrer — pelo menos na minha vida, se não fizer uma das duas coisas. Para mim, elas pertencem uma à outra. Ao fim e ao cabo, tudo se resume a tocar violino. Veja: se quiser que eu toque Mozart, isso tem mais ou menos a mesma linha que algo de Harry Styles. Por isso, para mim, encaixam todos.”
MĂDĂLINA (pergunta)
“Fale-nos da sua ligação a George Enescu.”
DAVID
“Tenho uma ligação direta a Enescu, porque a minha professora, Ida Haendel, trabalhou com ele. Foi uma das suas alunas — e ele teve apenas alguns alunos. Foi aí que começou a minha ligação a George Enescu. E ele também tocava um Guarneri.”
MĂDĂLINA (em voz off — sobre o violino)
O seu violino — um dos mais antigos e dispendiosos do mundo — a que chama o amor da sua vida. Um Guarneri del Gesù, chamado The Baltic.
DAVID
“O violino, e em especial este belíssimo Guarneri del Gesù — chama-se The Baltic, e é, sem dúvida, o amor da minha vida. Estava em digressão quando o vi pela primeira vez, em Nova Iorque, na casa de leilões da Tarisio. O melhor Guarneri a surgir em leilão nos últimos trinta, trinta e cinco anos — e apaixonei-me por ele. Uns meses depois, outra pessoa comprou este violino, e eu quase o comprei; continuei a pensar nisso, quase até aos últimos minutos antes de o leilão fechar — era muito dinheiro. Depois do leilão, recebi um telefonema a dizer que o comprador queria que eu tocasse o violino. Uau! Não tive de pagar nada — e fiquei com o amor da minha vida.”
MĂDĂLINA (em voz off)
Custou mais de três milhões de euros, e com ele conquistou mais de três milhões de espetadores ao longo das suas digressões. Foi assim que o mundo o veio a conhecer — mas ele próprio mal teve tempo de conhecer o mundo.
ENTREVISTADORA
“Se tivesse de abdicar do violino, o que faria?”
DAVID
“Ia para umas férias muito longas. Deixava o bebé em casa e ia descobrir as cidades, o campo…”
MĂDĂLINA (em voz off)
Houve um lado mais belo na sua vida ao longo destes últimos quinze anos. Preparou uma nova digressão, para a nossa alma. A 18 de setembro, estará na Sala Palatului.
DAVID (sobre o concerto em Bucareste)
“Esperem o inesperado! As canções mais famosas e melhores dos últimos vinte anos — pop, rock, EDM, R&B. Tocamos Avicii, Beyoncé, Rihanna, The Weeknd. Muito fresco, claro — com a banda, mas à maneira clássica.”
[Grafismo final: 18 de setembro de 2026 · Sala Palatului · Bucareste]
Narração romena traduzida por The Strings Society. Respostas de David Garrett em inglês preservadas na íntegra. Ligeiro tratamento aplicado por questões de legibilidade.
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O texto traz uma bomba muito delicada. Questionado sobre a sua ligação a George Enescu, Garrett não hesita:
Ida Haendel — a grande violinista polaco-britânica que estudou sob a orientação de Enescu em Paris, na década de 1930 — transmitiu essa linhagem a David. É o tipo de pormenor que transforma um nome familiar numa herança discreta, e é por isso que esta entrevista, na televisão romena, ressoa de forma um pouco diferente.
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Do Guarneri de Enescu, a conversa desliza naturalmente para o do próprio David — The Baltic, um Guarneri del Gesù a que chama o amor da minha vida.
Ele próprio quase o comprou — continuou a pensar nisso, quase até ao último minuto do leilão. (Era muitíssimo dinheiro.) Outra pessoa ficou com ele. Depois veio um telefonema: o novo proprietário queria que David tocasse o violino.
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E depois, a notícia que, antes de mais, levou tudo isto à televisão romena. David regressa a Bucareste: 18 de setembro de 2026 · Sala Palatului.
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Mădălina partilhou também um breve relance do seu próprio Instagram — alguns segundos da visita, antes de as câmaras começarem a rodar:
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Leia o artigo completo (em romeno) no Observator. Entrevista de Mădălina Iacob e Loredana Popovici, filmada em Berlim. Relance dos bastidores via @madalina.iacob no Instagram. Todas as imagens e citações © Observator / Antena Group.