Master of Sound
No domingo, 26 de julho de 2026, a Kirche Saanen — a pequena igreja da aldeia, aninhada nas montanhas do Saanenland, onde Yehudi Menuhin acendeu o seu festival há setenta verões — abre as portas para uma noite diferente de tudo o resto no calendário. Chama-se Master of Sound, e encerra um fim de semana de cimeira especial dentro do 70.º Menuhin Festival Gstaad. Em palco: David Garrett e os membros do seu Guarneri del Gesù Club — e não só os instrumentos, mas os grandes músicos que os tocam.
O clube que ele construiu
O Club é uma criação do próprio Garrett. Depois de comprar em leilão um Guarneri del Gesù de 1736 — cumprindo, nas suas palavras, um sonho de uma vida inteira — começou a reunir a pequena e dispersa irmandade de pessoas que possuem e tocam estes violinos. Uma vez por ano encontram-se para fazer algo que quase mais ninguém no mundo consegue: pousar os seus instrumentos lado a lado, passá-los de mão em mão, e escutar como cada um fala.
O que torna este encontro raro é a aritmética. Mal sobrevivem cento e cinquenta violinos Guarneri del Gesù — contra os quinhentos ou seiscentos Stradivarius — cada um deles um pedaço de história saído da oficina de Cremona de Giuseppe Guarneri, esculpido na madeira de uma pequena era glaciar, acabado com um verniz que ninguém jamais explicou por completo. Trazer vários para uma única sala é, muito literalmente, reunir uma fortuna em som.
Master of Sound
Em Saanen, os del Gesù do Club juntar-se-ão a Stradivarius, e toda a noite gira em torno de uma ideia irresistível: ouvir estes dois lendários construtores comparados diretamente — as mesmas mãos a passar de um para o outro — para que o ouvido capte o que as palavras não conseguem. A potência escura e vocal de um Guarneri contra a clareza prateada de um Stradivarius. Como o próprio Garrett gosta de dizer, o Guarneri tem algo quase rude e masculino; o Stradivarius é mais doce, mais feminino. Por uma noite, ambos sob a mesma nave. E eis o que torna a noite quase irrepetível: nunca antes estes instrumentos foram reunidos e tocados em conjunto desta forma — todos numa só sala, numa única noite. Um acontecimento único na vida no sentido mais verdadeiro, sem qualquer promessa de que voltará a acontecer. Não admira que a minúscula igreja tenha esgotado quase no instante em que os bilhetes apareceram, com o interesse a ultrapassar de longe o punhado de lugares que comporta.
Family Matters
Há uma simetria silenciosa no local. O 70.º festival é o primeiro sob a sua nova direção artística, o violinista Daniel Hope — ele próprio nada estranho a estes instrumentos —, cuja temporada de estreia se intitula Family Matters, construída sobre a ideia fundadora de que Yehudi Menuhin outrora trouxe amigos de todo o mundo a este sossegado recanto da Suíça apenas para fazer música juntos. O Club de Garrett é exatamente isso: um círculo de amigos reunido em torno de uma devoção partilhada. Por uma noite, o Club vem às montanhas como parte da família alargada de Menuhin. E, por uma noite, nós também.
E retribui. Cada bilhete apoia a Menuhin Festival String Academy, onde se forma a próxima geração de músicos de cordas — de modo que uma noite dedicada a instrumentos com trezentos anos se torna, com toda a propriedade, um investimento nas mãos jovens que os levarão por diante. O próprio programa permanece em segredo — parte do suspense da noite — e contamos os dias para descobrir o que estas mãos escolherão tocar.
Domingo, 26 de julho de 2026 · 20:00 · Kirche Saanen, Gstaad
70.º Menuhin Festival Gstaad · a favor da Menuhin Festival String Academy
Alguns de nós de The Strings Society vamos estar naqueles bancos no dia 26 de julho — com o coração na garganta, como ficamos quando algo raro está prestes a acontecer a poucos passos de distância. Traremos a noite de volta até ti, aqui: o som, claro, mas também a respiração suspensa antes da primeira nota, e o silêncio que se segue à última.
— A Equipa Editorial de The Strings Society