Magia ao Ar Livre: Garrett sobre a Chuva, a Liberdade e a Digressão Millennium Symphony
Numa entrevista à jornalista da BR-Klassik Larissa Schütz, ele partilhou o que move esta digressão — e por que motivo a magia imprevisível dos palcos ao ar livre lhe soa mais a casa do que qualquer auditório fechado.
David descreveu como ele e a sua equipa escolheram cuidadosamente cada palco, procurando lugares com um certo "fator wow" — espaços onde o público sente o acontecimento antes de a primeira nota ser tocada. Confessa que é amante da natureza, e que até acha maravilhoso um pouco de chuva num concerto ao ar livre.
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No plano prático, revelou uma regra essencial que segue sempre: os músicos de cordas têm de sair cedo da zona dos bastidores, para que os seus instrumentos — tudo feito de madeira — possam aclimatar-se à humidade e à temperatura. É um pequeno ritual, mas mantém a afinação estável sob o céu aberto.
E quando o tempo muda? Traz sempre um grande chapéu de pesca, pronto a ser segurado por cima do seu violino caso se aventure pelo meio do público à chuva. Mas não se preocupa demasiado com isso — um pouco de chuva, acredita ele, não pode prejudicar a música nem a noite.
O programa da Millennium Symphony bebe dos maiores êxitos dos últimos 25 anos — arranjados com toda a amplitude de uma orquestra sinfónica. David falou sobre a forma como aborda o crossover como um recreio criativo, usando técnicas que aprendeu com Paganini, Brahms, Beethoven e Sibelius para levar o instrumento para além de fronteiras que nem sequer existem no repertório clássico.
Ele próprio arranja tudo, e é esta abordagem prática que dá ao seu trabalho de crossover o seu som distinto — enraizado na formação clássica, mas alcançando o território do pop, do rock e da música eletrónica de dança.
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Um dos momentos altos do espetáculo: duas canções de Ed Sheeran. "The Joker and the Queen" tocou-o pela sua linha melódica — ele ouviu nela algo quase à Disney e arranjou-a em conformidade. E "Shape of You" interpreta-a inteiramente sozinho, tocando percussão no próprio violino enquanto usa uma loopstation.
Quando lhe perguntaram se espera converter fãs do pop em ouvintes do clássico, a sua resposta foi calorosa e sincera: já viu acontecer nos dois sentidos. Pessoas que só ouviam clássico vêm agora aos espetáculos de crossover, e vice-versa. Para David, essa troca é uma das partes mais gratificantes daquilo que faz.
A entrevista original completa está disponível na BR-Klassik. Entrevista por Larissa Schütz.